segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Na hora de dormir...

Uma pessoa me solicitou, através de um scrap do Orkut, que contasse como é o nosso ritual de "ir para a cama" aqui em casa.

Tenho de esclarecer que ele muda, não frequentemente, mas conforme o desenvolvimento do filhote.

Quando ele era bebê, tudo era feito com muita serenidade e na mesma sequência. Nunca tivemos "o embalar" e nem ele nunca soube que ir para a cama era uma alternativa ou que poderia ser de outra forma.

Esse é um aspecto importante: a criança não tem noção, se nós não falarmos ou demonstrarmos, que a rotina poderia ser outra.

Muitas crianças relutam em ir para  a cama. Na maioria das vezes, é por que a casa continua muito "acordada". Apagar luzes, desligar a TV, falar mais baixo, são práticas que podem facilitar a chegada do sono.


Depois de grandinho, por volta dos dois anos, começaram as histórias. A rotina sempre igual, pijama, dentes, cama, oração, apagar a luz e história.
As crianças sempre têm objetos transicionais. O meu, por volta dos três anos, ia aumentando o número de fraldinhas de dormir, conforme minha agenda de trabalho ia se complexificando. 

Nessa época, eu contava as histórias de cor, com a luz apagada. Sempre a mesma história, todo dia, em cada época de mais ou menos três a quatro semanas. Quase nunca chegava ao final.

Depois dos quatro anos, meu repertório começou a ficar desisteressante. Foi quando entraram as histórias lidas.

Eu lia com uma locução monótona, muito lenta, o que era um exercício também para mim, tanto no respirar quando no falar. Eram histórias longas, sem gravuras, lidas aos pouquinhos por meses (prática que se segue até agora, com seis anos de idade).

Hoje, por exemplo, estamos lendo Dom Quixote, na versão bem humorada e curta de Orígenes Lessa.

A partir de uma certa idade, por volta dos seis anos, as crianças podem ficar um pouquinho sozinhas depois que os pais as colocam na cama, mas é importante que não seja brincando ou conversando. O silêncio deve ser mantido e os livros devem ter poucas ilustrações, o que reforça o tédio e ajuda o sono chegar.

Tem também algumas vezes que ele vai para a cama e "lê" sozinho mais um pouco, após o término do trecho que lemos juntos.

O importante, na minha perspectiva, é a rotina, sempre terrivelmente monótona e estável.

Mesmo quando se sai da rotina, não se deve comunicar isso à criança. Criança não sabe das horas, não sabe que está atrasada para ir para a cama. Nosso discurso a esse respeito é que cria a sensação de descontinuidade.

A presença do cuidador na hora de dormir dá segurança à criança.

Conheço muita gente que coloca a criança no carro para dormir. Entendo que isso seja uma tentativa desesperada, mas devemos criar as condições de serenidade e estabilidade em nossa casa, para que a criança se encaixe sem nem perceber que poderia ser diferente.

Muitos pais apelam para o carro na hora de dormir. Uma prática muito pouco saudável que inviabiliza a vivência da rotina de dormir  pela criança. 

Diminuir as luzes cerca de uma hora antes da hora de colocar o pijama, desligar a TV muito antes, falar em tom mais baixo, são ações que facilitam o momento de ir para a cama.

A palavra-chave é gesto. O gesto tem de ser o mesmo sempre, a ordem das atividades também. Por incrível que possa parecer, criança gosta de mesmice e previsibilidade, bem ao contrário do que a mídia, incentivadora do consumo afirma.

 Criança pequena vive de rotinas. Para que a hora de ir para a cama seja um momento tranquilo para pais e filhos, precisa ser coreografado e encenado diariamente da mesma maneira. Evite o discurso do "atraso", do não dormir, ou comentar  com outras pessoas na frente da criança que ela não dorme com facilidade, isso apenas reforça o negativo e faz com que a atenção seja despertada para o indevido.



Um comentário:

  1. Olá Nina,
    Compartilho desse mesmo ritual!
    Uso o termo que a nossa casa dorme, junto com nossos filhos!
    O ritual inicia por volta das 17h00...banho depois de um lonnngo dia de muitas brincadeiras, pijama, jantar....escovar os dentes , xixi e cama .
    Quando pequenos, também contava histórias sem livro (mas, também com livro sem figuras, as vezes).
    Hoje (um de 5 anos e o outro de 7), deixo o quarto na meia luz, rezamos, viram de ladinho, cada um pega seu bonequinho do sono e conto a história.
    Mesmo que eles durmam, conto a história até o final, ela vai para o sono com eles.
    Um beijo
    Andrea

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