segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A pequena Laura e o Dragão


Há alguns anos, escrevi um pequeno conto, baseado na lenda de Perséfone e na de São Micael.

Minha Persófone, tornou-se a pequena Laura, princesa de um castelo de cristal, que foi raptada para uma caverna escura por um terrível dragão.

O valente cavaleiro Micael, guiado por um anjo, conseguiu libertar a princesa e a devolveu ao seu pai, que deu sua mão em casamento ao corajoso rapaz e mandou levantar paredes de ouro no castelo onde antes era cristal, fortalecendo seu interior.

Nota-se que é um interdiscurso entre vários arquétipos.

Permite a encenação de uma peça ou apenas sua narração.

Dura em média de 4 a 8 minutos.

Abaixo a peça que peça na íntegra:

MICAEL E O DRAGÃO


                               Nina Veiga
    

     Numa terra distante e deserta habitava um terrível dragão. Cansado de viver sozinho o cruel cuspidor de fogo saiu em busca de companhia.
     Subiu e desceu montanhas, atravessou rios e mares, andou pelos vales profundos até que avistou ao longe uma colina.
     No alto da colina havia um castelo de cristal. "Ah", pensou o dragão, "neste castelo frágil deve morar uma boa companhia para mim. Vou até lá." E continuou a subida até o topo onde se encontrava o castelo envidraçado.
     Quando chegou mais perto, viu através das paredes de vidro uma linda princesa. Era Laura a princesa do castelo de cristal. Vivia feliz sem saber que lá fora uma terrível fera a observava.
     A jovem princesa saiu para passear pelos jardins do palácio, observava as flores que a primavera estava trazendo, sentia a brisa da montanha que varria o céu, levando embora as nuvens e deixando-o mais azul.
     De repente os raios do sol se esconderam, a brisa parou de soprar e um bafo quente e fedido tomou conta do ar. "Oh, o que terá acontecido com a primavera?", pensou a princesinha, "Onde o sol, onde o aroma das flores?"
     E quando menos esperava: o dragão a atacou e a levou para sua terra deserta e quente. Lá chegando, trancou a princesinha de cristal numa caverna escura, cheia de insetos  perigosos. E foi caçar. "Vou caçar um carneiro bem gordo para dar de comer a minha amada."
     A pequena Laura em seu cativeiro orava sem parar: "Meu bom Deus, meu Anjo protetor, minha querida mãezinha do céu, ajudem-me a sair desta terrível caverna, livrem-me do cruel dragão".
     Não muito longe dali, um cavaleiro valente voltava de uma grande batalha. Ia em seu cavalo agradecendo a Deus por ter-lhe poupado a vida em mais um sangrento duelo. Tinha ganhado mais uma batalha e agora as crianças poderiam dormir mais uma noite em paz.
     O cavaleiro Micael não percebeu quando um Anjo do Senhor lhe soprou uma mensagem ao ouvido: "Perto daqui há uma princesa que corre perigo, um dragão a raptou, está na caverna do deserto".
     Sem saber o porquê, o valente cavaleiro, sentiu vontade de ir para casa cortando caminho pelo deserto. Sabia que era perigoso, pois lá morava o mais cruel dos dragões. Mas, sem temer, seguiu em frente conduzido por uma estranha sensação.
     Mal tinha andado meia légua quando escutou debaixo da terra um choro baixinho. "O que será isso?", pensou ele, "Quem poderá estar chorando debaixo da terra? Só pode haver uma caverna aqui".
     E quando desceu mais um pouco para procurar a entrada da caverna... Surge o dragão. Depois de lançar fogo pelas ventas, grita: "Que queres tu, forasteiro? Vieste levar embora a minha princesa? Pois estarás derrotado antes disso!" E dizendo isso começou a girar a cauda e a cuspir fogo.
     Micael, valente e corajoso, não vacilou, tirou sua espada de ferro e ouro e com um único e certeiro golpe acertou o dragão. Este, ao ver seu sangue verde escorrer pelo chão, saiu em disparada em direção ao fim do mundo de onde não vai voltar tão cedo.
     A jovem princesa que a tudo escutava, agradeceu a Deus pelo seu salvador e foi conduzida por Micael de volta ao seu castelo. O Rei feliz por ver a filha salva do horrível seqüestro, mandou construir um castelo todo de ouro, onde nenhum dragão poderia entrar, e pediu a Micael para que lá morasse em companhia de sua filha Laura, após o casamento.
     E é lá que eles devem estar, até agora... Felizes para sempre.





O dragão da foto é feito por nossa parceira Flavia Beatris.

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